quarta-feira, 15 de junho de 2016

A LENDA DA ILHA DA MADEIRA



Esta lenda assegura que há muitos, muitos anos existia no oceano Atlântico uma ilha fabulosa, a Atlântida, e nela vivia a civilização mais maravilhosa de sempre. Os seus habitantes, que Platão dizia descenderem dos amores do deus Poseidon com a mortal Clito, tornaram-se tão arrogantes que tiveram um dia a pretensão de conquistar todo o mundo, ousando mesmo o seu rei desafiar os céus. Foi então que ouviu a voz do Deus verdadeiro dizer-lhe que nada poderia contra o poder divino. Mas o teimoso rei voltou a desafiá-lo e decidiu conquistar Atenas, mas, durante a batalha o rei da Atlântida ouviu a voz de Deus dizer-lhe que a vitória seria de Atenas para castigar a sua arrogância e ingratidão. À derrota seguiram-se terríveis tempestades, terramotos e inundações que engoliram a bela Atlântida para todo o sempre.
Passaram-se muitas centenas de anos até que um dia a Virgem Maria se debruçava dos céus sobre o oceano, sentada numa nuvem quando São Silvestre lhe veio falar. Aquela era a última noite do ano e São Silvestre achava que deveria significar algo de diferente para os homens, ou seja, marcar uma fronteira entre o passado e o futuro, dando-lhes a possibilidade de se arrependerem dos seus erros e de terem esperança numa vida melhor. Nossa Senhora achou muito boa ideia e então confiou-lhe qual a razão porque estava a observar o mar com uma certa tristeza: lembrava-se da bela Atlântida que tinha sido afundada por Deus por causa dos erros e pecados dos seus habitantes. Enquanto falava, Nossa Senhora deixava cair lágrimas de tristeza e misericórdia porque a humanidade, apesar do castigo, não se tinha emendado. Emocionado, São Silvestre reparou que não eram apenas lágrimas que caíam dos olhos da Senhora, eram também pérolas autênticas que caiam dos Seus olhos. Foi então que uma dessas lágrimas foi cair no local onde a extraordinária Atlântida tinha existido, nascendo a ilha da Madeira que ficou conhecida como a Pérola do Atlântico. Dizem os antigos que durante muito tempo, na noite de S. Silvestre quando batiam as doze badaladas surgia nos céus uma visão de luz e cores fantásticas que deixava nos ares um perfume estonteante. Com o passar dos anos essa visão desapareceu, mas o povo manteve-a nas famosas festas de fim de ano com um maravilhoso fogo de artifício a celebrar a Noite de S. Silvestre.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

A TESOURA E A AGULHA

Havia uma jovem, que desde pequena aprendeu a arte da costura, lidando com tecidos, tesouras, agulhas e linhas. A sua mãe era uma exímia costureira, sustentava toda a família com esse trabalho.
Um dia essa jovem casou com um frio empresário que gastava toda a as energias com os negócios e dava muita importância ao que ela nem sempre julgava essencial.
Acostumou-se durante muito tempo a ver o marido cortar os passeios e as refeições com os filhos por um almoço de negócios, a certa altura, já não aguentava ouvir o marido falar em cortes e mudanças precipitadas. Isto sem falar nas inúmeras vezes que foi cortada ao tentar argumentar, discutir os problemas do cotidiano.
Numa rara noite em que todos estavam em casa, a filha mais nova começou a implicar com o irmão. O pai, sempre ocupado, não suportava o barulho e sem querer ouvir ou entender a situação mandou as duas crianças para o quarto, sem conversa. A mulher simplesmente pegou sua caixinha de costura com alguns retalhos e chamou o marido:
– Agora não!
– Agora sim, querido!
O homem percebeu que era sério e não tinha escolha, sentou-se e ficou olhar os retalhos, a agulha, a tesoura, carretos de linha sem nada compreender.
– Meu bem, para que serve a tesoura? – Perguntou brandamente a mulher.
– Para cortar, aparar…
– E a agulha?
– Para costurar!
– Tu consegues fazer uma colcha de retalhos só a cortar ?
– Na verdade não faria de jeito nenhum – não sei costurar, lembras-te?
– Não estou a brincar! Tu já viste ou soubeste de alguma costureira que costura sem linha e agulha, só com tesoura?
– Claro que não, meu amor.
– A minha mãe disse-me um dia, quando meu pai nos deixou, que nossa família era como uma colcha de retalhos. Cada um de nós era um retalho colorido. Para que nossa colcha ficasse sempre bonita precisaríamos usar a agulha e as linhas.
– E daí?
– Daí que tu só sabes usar a tesoura. Cortas os nossos momentos de lazer, cortas a minha palavra, cortas o diálogo com as crianças. Tu só separas, separas…
– Eu?
– Sim. Aprende a unir nossa família. Aprende a unir o teu trabalho à nossa família, unir os teus amigos aos meus. Qualquer dia tu perceberás o quanto nos cortaste da tua vida e talvez seja tarde de mais.
O marido na
da disse, sinal de que ia pensar, refletir. Mudanças precisam de tempo.
– Não vou mais falar sobre isto, só quero que tu penses, está entendido? Estou no quarto das crianças. Vou costurá-las porque não quero dois retalhos tão importantes da minha vida separados. Boa noite!
– Boa noite.
Depois de meia hora o marido entrou no quarto em que brincavam as crianças, enquanto a mulher costurava uma bonita colcha de retalhos.
A cena enterneceu o homem, que o fez juntar-se aos três. Abraçou-os e os levou-os para jantar!
Fonte: Recebido por Email.
Fonte pesquisada: Livro Histórias que Motivam – Autor: Assis Almeida